Famílias vitimadas pela violência armada necessitam de acesso à justiça, saúde e assistência social. Pensando em fortalecer a rede especializada que atende a este público, o Comitê de Prevenção e Combate à Violência (CPCV) da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará divulga nesta sexta-feira (28/03), a publicação “Cuidando em Rede – Construindo fluxos de cuidado para vítimas de violência armada”.
O material pode ser baixado neste link.
O Comitê tem se dedicado, desde o ano de 2019, a compreender e fortalecer o conceito de “rede especializada” na atenção às vítimas de violência armada. Como resultado, além de diálogos e formações com os profissionais que atuam diretamente na área, esta é a segunda publicação que sistematiza informações e resultados. A primeira veio em 2019, intitulada “Cuidando em Rede: Saberes e Práticas na Atenção às Famílias de Vítimas de Homicídios”, disponível aqui.
Para a realização do segundo documento foi necessário compreender as características dos serviços e como eles se articulam em rede para, então, fazer um diagnóstico. A metodologia contou com um instrumento de levantamento de informações, enviado para os serviços que realizam o atendimento de vítimas de violência armada, identificando, assim, novos participantes a partir da técnica de “bola de neve”, por meio da qual um serviço indicava outros serviços para participarem do diagnóstico.
Como resultado, foram identificados 15 serviços que atendem vítimas e familiares de violência armada no Ceará. “Percebemos que os serviços especializados dependem fortemente de uma rede de políticas públicas que enfrenta baixa efetividade dos encaminhamentos”, comenta Thiago de Holanda, coordenador do CPCV. “Com o fortalecimento da rede especializada e a formação com a rede extensa, esperamos melhorar significativamente o fluxo de referência e contra-referência entre os serviços, garantindo, assim, uma resposta mais efetiva e integral às necessidades das vítimas”, projeta.
Sobre o diagnóstico
Segundo Thiago, um dos principais achados do diagnóstico revelou uma preocupante situação de saúde mental dos profissionais que atuam nos serviços especializados. “Nós percebemos que 51,3% deles apresentam sofrimento psíquico e necessitam de atenção específica em saúde mental. É fundamental priorizar o cuidado de quem cuida, garantindo condições para que esses profissionais possam exercer suas funções com efetividade”, pontua.
Para Ingryd Melyna, pesquisadora do Comitê, o levantamento foi crucial. “Assim, pudemos iniciar o fortalecimento de um caminho de cuidado às vítimas da violência armada, identificando lacunas nos fluxos de atendimento e otimizando a comunicação entre os serviços”.
Ela ressalta ainda que, para construir o material, foi necessário um trabalho coletivo, realizado entre órgãos da Assembleia Legislativa: Comitê de Prevenção e Combate à Violência; Comissão de Direitos Humanos e Cidadania; Escritório de Direitos Humanos e Assessoria Jurídica Popular Frei Tito de Alencar e Universidade do Parlamento Cearense. O processo foi realizado em parceria ainda com Defensoria Pública do Ceará, Ministério Público do Ceará, Secretaria Estadual dos Direitos Humanos, Centro de Defesa da Criança e do Adolescente e Comitê Internacional da Cruz Vermelha.