sexta-feira, 18/05/2018

Comitê participa de seminário na Unilab sobre racismo e extermínio da juventude

Esse é o terceiro seminário organizado pelo Movimento Cada Vida Importa

Ámon Lima, da Associação Transmasculina do Ceará (ATRANS), fez um depoimento pessoal narrando o histórico de violências vivenciadas pela população LGBT

Com uma diversidade de temáticas e interlocutores, o 3º seminário do Movimento Cada Vida Importa reuniu, nesta quinta-feira (17), dezenas de estudantes, professores e representantes de coletivos e movimentos sociais para discutir estratégias de prevenção aos homicídios na juventude, que atinge especialmente jovens negros e moradores da periferia urbana. Esta edição ocorreu na Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) e trouxe o tema “Desafios para superação da violência: insegurança, extermínio da juventude negra e direito à cidade”.

Integrante do Comitê Cearense pela Prevenção de Homicídios na Adolescência (CCPHA), o sociólogo Benjamim Lucas explicou que as ações de prevenção devem ser implementadas, de forma integrada, em três níveis (primário, secundário e terciário), uma vez que a dinâmica desses homicídios não é estática, mas transversal. “A morte é um processo”, reforçou.

Ainda na mesa “Diálogos para a superação da violência”, Margarida Marques, do Instituto Negra do Ceará (Inegra), narrou a dor das mulheres – a maioria negra, pobre e com baixa escolaridade – que reivindicam justiça e memória aos filhos assassinados. “Essas mães têm um papel central na luta contra o extermínio da juventude negra”, ressaltou.

Ela também fez referência à escravidão e teceu tom crítico ao tipo de abolição vivido no Brasil há 130 anos. “Nosso presente tem muito passado. Como foi o dia após a abolição? Nós ficamos com os piores empregos e escolas. Hoje, um jovem negro tem muito mais chances de morrer do que um jovem branco”, complementou. Anderson Duarte, do grupo Policiais Antifascismo, e Raoni Oliveira, da Torcida Uniformizada do Fortaleza (TUF), também participaram do debate, coordenado pelo professor da Unilab Eduardo Machado.

Na primeira mesa, “Obstáculos para a superação da violência”, Ámon Lima, da Associação Transmasculina do Ceará (ATRANS), fez um depoimento pessoal narrando o histórico de violências vivenciadas pela população LGBT. “Precisamos discutir o papel social das universidades, pois essas opressões também acontecem dentro das universidades”, disse ele, que é estudante do curso de Antropologia da Unilab.

Coordenada pelo professor Thiago Vasconcelos, da Unilab, a mesa também contou com a presença de Gabriela  Freitas, da Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para Mulheres do Governo do Estado, e dos docentes da Unilab James Moura Jr., Marcos Silva e Violeta Holanda. “Nós vivemos hoje em uma sociedade bélica”, afirmou James Moura em referência à intolerância crescente em diferentes setores sociais do País.

Esse é o terceiro seminário organizado pelo Movimento Cada Vida Importa, que reúne integrantes de 14 universidades cearenses para sensibilizar a comunidade acadêmica contra o extermínio da juventude. Conta com apoio do Comitê Cearense Pela Prevenção dos Homicídios na Adolescência, além de coletivos e movimentos sociais.