segunda-feira, 11/06/2018

Comitê integra debate sobre juventude em Seminário Internacional de Segurança

O evento foi sediado na Assembleia Legislativa do Ceará de 5 a 8 de junho

O coordenador do UNICEF no Ceará, Rui Aguiar, defendeu a busca ativa aos adolescentes que estão fora da escola

A equipe do Comitê Cearense pela Prevenção de Homicídios na Adolescência (CCPHA) participou, na última sexta-feira (8), do fórum “Coletivos, movimentos sociais e políticas se segurança pública: como reduzir a letalidade juvenil?”, que integrou a programação do Seminário Internacional sobre Segurança Pública, realizado na Assembleia Legislativa do Ceará de 5 a 8 de junho.

Coordenador do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) no Ceará, Rui Aguiar representou o Comitê na atividade. Explicando as recomendações para prevenir homicídios de adolescentes elaboradas pelo colegiado, ele reforçou a importância da busca ativa aos meninos e meninas que estão fora da escola.

Segundo pesquisa desenvolvida pelo Comitê em 2016 que resultou no relatório Cada Vida Importa, 73% dos adolescentes assassinados em Fortaleza haviam abandonado a escola até seis meses antes de morrer.

O debate foi mediado pelo jornalista Ricardo Moura, doutor em Sociologia e pesquisador do Laboratório Conflitualidade e Violência (Covio) da Universidade Estadual do Ceará (UECE). O relator do CCPHA, Renato Roseno, também assistiu à programação.

José Airton Barreto, advogado da área de direitos humanos, apresentou a experiência da comunidade Quatro Varas, projeto de saúde mental que valoriza as terapias comunitárias integrativas. “A gente trabalha o resgate da auto-estima”, diz, defendendo a democratização do conhecimento jurídico como garantia de direitos básicos nas periferias urbanas.

A vice-presidente do projeto Quatro Varas, Olga Nascimento, abordou a execução de políticas públicas de infância e juventude nos últimos 30 anos e apontou a negligência do cuidado do poder público a crianças e adolescentes.

Também integrando o debate, a educadora social de rua Flor Fontenele explicou que o Brasil tem uma dívida histórica com a infância e adolescência. Conselheira estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente, ela defendeu ser necessário acolher os jovens vulneráveis, reconhecendo suas potencialidades, em vez de estigmatizá-los.