Profissionais que atuam – direta ou indiretamente – no atendimento a vítimas de violência armada passarão por uma formação promovida por parceria do Comitê de Prevenção e Combate à Violência com o Programa Integrado de Prevenção e Redução da Violência (PReVio). As atividades têm início no dia 15 e seguem até 26, sempre das 9h às 17 horas.

Durante 10 dias, grupos de profissionais serão capacitados sobre fluxos de atendimento a vítimas da violência armada no Ceará. As atividades fazem parte de mais um ciclo de formação “Cuidando em Rede”, articulação interinstitucional mediada pelo Comitê Cada Vida Importa. Além de formações, o Cuidando em Rede já publicou três documentos que apresentam diagnóstico e fluxo das chamadas rede especializada e rede extensa de atendimento às vítimas de violência armada.

O objetivo é fortalecer a atenção às vítimas da violência armada no Ceará, capacitando profissionais de diversas áreas de atuação, como segurança pública, educação, saúde, cultura, juventude, assistência social.

“As pesquisas realizadas pelo Comitê há 10 anos mostram que a violência é fruto da segregação e, portanto, trazer a perspectiva da prevenção é trabalhar efetivamente para a redução da violência. Dialogar sobre os fluxos de atendimento a vítimas diretas e indiretas de violência armada é evitar a revitimização e evitar que o ciclo de violência se perpetue. O Comitê tem atuado muito nessa perspectiva, realizando formações com diversos públicos técnicos”, explica o presidente do Comitê, deputado Renato Roseno. Ele adianta ainda que o próximo ciclo formativo será com profissionais da saúde de Fortaleza, no mês de julho.

Diálogo nos territórios
As formações ocorrem de forma descentralizada. Em Fortaleza, cinco bairros serão sede das atividades: Vicente Pinzón, Granja Lisboa, Curió, Barra do Ceará e Jangurussu. Em seguida, as cidades de Maracanaú, Maranguape, Caucaia, Itapipoca e Sobral também entram no circuito.

“Quando falamos em prevenção à violência, precisamos compreender que esse trabalho não começa e nem termina em uma única ação. Ele exige continuidade, articulação entre as instituições e uma rede preparada para acolher, orientar e proteger quem foi atingido direta ou indiretamente pela violência”, ressalta Avilton Júnior, coordenador executivo de Prevenção à Violência do Governo do Ceará.

No caso da violência armada, afirma o gestor, esse cuidado é ainda mais urgente. “Os impactos não recaem apenas sobre a vítima, mas alcançam famílias inteiras, comunidades e territórios que convivem com medo, insegurança e rupturas nos seus vínculos”. Avilton considera necessário um esforço coletivo, que depende da integração entre Estado, municípios, sistema de Justiça, sociedade civil e comunidades.

Texto: Camila Holanda