Na noite do dia 24 de julho de 2022, o estudante Paulo Victor de Oliveira, de 16 anos, foi morto a tiros no bairro Mondubim, em Fortaleza, durante operação policial. Quase três anos depois, nesta quinta-feira (27/03), às 8h, o policial militar acusado de ser autor dos disparos que mataram o garoto será levado a júri popular.
O julgamento ocorrerá a partir de 8h, horário em que também será realizado ato em frente ao Fórum, organizado por familiares, amigos e entidades da sociedade civil. O Comitê de Prevenção e Combate à Violência (CPCV) participará da vigília, ao lado do Escritório de Direitos Humanos e Assessoria Jurídica Popular Frei Tito de Alencar e da Comissão de Direitos Humanos e Cidania.
“Você imagina a seguinte situação: um adolescente é mandado pela mãe para comprar pasta de dente numa venda perto de casa. Ele encontra amigos no caminho, acontece uma abordagem policial, essa abordagem gera tiros, fruto de um ato equivocado, e mata esse adolescente”, resgata o deputado Renato Roseno, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alece.
De acordo com levantamento realizado pelo CPCV, com base em dados da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), nos dois primeiros meses de 2025, foram registradas 33 Mortes por Intervenção Policial (MIPs) no Ceará. No mesmo período do ano passado, foram 37 casos divulgados. Em todo o ano de 2024, a SSPDS divulgou a ocorrência de 189 casos de MIPs. Já em 2023, foram 147 registros, um aumento de 28,57% nos casos.
“A morte do Paulo Vitor é trágica. Esse garoto foi morto a partir de uma abordagem equivocada, que fez um policial, um agente do Estado, disparar um tiro que acabou com a vida de um adolescente, de uma família. É necessário sempre desestimular a lógica do conflito armado, que a segurança pública se faz, necessariamente, via conflito armado. A boa operação policial é aquela que neutraliza uma possível presença da violência e do crime sem necessariamente produzir vítimas”, finaliza Renato.